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Breve história da Arquitetura

 

 

 

1. Arquitetura pré-histórica

 

 

A arquitetura rudimentar do Neolítico: a «cabana primitiva»

 

O Homo Sapiens fez dos buracos entre as pedras ou nas montanhas os seus

primeiros locais de habitação, adaptando-os às suas necessidades e

preferências. A arquitetura no Neolítico é sobretudo uma arquitetura de

circunstância, adaptada à necessidade de sobrevivência (proteção das

intempéries e dos ataques de homens e animais). Esta primeira tipologia de

construção arquitetónica passou a ser designada por "cabana primitiva".

 

 

           

 O Homem da Pré-História aproveitava as grutas naturais nas pedras,

ou fazia-as ou aperfeiçoava-as para as utilizar, com ornamentos rudimentares, como habitação.

 

 

Ainda assim, se considerarmos que o termo arquitetura deve aplicar-se aos casos em que há uma ação humana para aperfeiçoar e/ou embelezar o seu habitat, no Neolítico existe uma intervenção arquitetónica quando o homem começa a arrastar e juntar pedras para construir habitações rudimentares. Nestes casos, as frestas nas pedras (ventilação e acesso) imitam as cavernas.

 

Existem diversas configurações das primeiras habitações arquitetónicas, conforme as primeiras manifestações de gosto (opções estéticas), necessidades (questões de espaço, em função do agregado familiar, por exemplo) e as possibilidades (características do espaço, das pedras, etc.,

que são opções técnicas).

 

 

O mito da “cabana primitiva” e “o telhado de duas águas”

O mito da cabana primitiva desenvolve-se também quando foi inventada a casa de madeira, com quatro paredes e telhado de duas águas.

O mito da cabana primitiva foi pela primeira vez invocado por Vitrúvio (Marcos Vitrúvio Polião, séc. I a.C.), autor de uma das primeiras obras literárias sobre o assunto, de título "De Architectura", que serviu de base aos estudos posteriores, com os seus padrões de proporções e os seus princípios concetuais — utilitas (utilidade), venustas (beleza) e firmitas (solidez) —, fundamentos da arquitetura clássica.

 

 

 

No fim do Neolítico começam a surgir construções com configurações comuns

muito típicas: são as antas, ou dólmens, câmaras mortuárias que serviam para

abrigar e homenagear os mortos. Assim, o conceito de abrigo está presente em

todas as construções arquitetónicas desde as épocas primitivas, mas

juntamente com o conceito de abrigo existe um caráter simbólico

(a  preservação dos mortos, que implica a aceitação de uma vida para além

da morte).

 

As construções do Megalítico com caráter simbólico (entre 5000 e 3000 a.C.)

permitem admitir que existe preocupação de abrigo, também preocupação de

proteção, também preocupação de organização física do espaço, mas para além

disso preocupações de ordem espiritual e/ou religiosa (de fé).

 

Na arquitetura megalítica surgem os menires (monumentos filiformes, em

pedra, apontados para o céu), os alinhamentos (pedras organizadas em linha

reta), os cromeleques (organização em círculo) e os já referidos dólmens

(com cobertura).

 

 

   

 

Poulnabrone Dolmen, County Clare, Irlanda. À direita: Menir dos Almendres, Évora, Portugal. 

 

 

 

2. Idade Antiga: o «arquiteto sacerdote»

 

 

Na Antiguidade, a maioria das formas de relacionamento entre os homens

baseava-se em crenças no divino e no sobrenatural. O arquiteto, que projetava

os edifícios religiosos, era considerado uma personalidade de relevo, ao ponto

de ser comparado, no Egipto, a um sacerdote: eram eles que concebiam as

moradas dos deuses.

 

As principais correntes arquitetónicas da Antiguidade são:

1 – Egípcia (pirâmides em pedra, de caráter religioso),

2 – Assíria,

3 – Babilónica,

4 – Etrusca,

5 – Minóica,

6 – Micénica,

7 – Persa,

8 – Suméria.

 

O arquiteto grego Hipódamo de Mileto é considerado

o primeiro urbanista da história.

 

Na Grécia desenvolveu-se o conceito de cidade-Estado, centro de toda a

convivência social. Este conceito de espaço coletivo (a cidade ou “polis”) impôs

a necessidade de edifícios de natureza coletiva: templos para oração,

assembleias para o debate político, palácios para reis e imperadores, etc.

 

 

 

3. Idade Média e Renascimento

 

 

Na Idade Média ainda não existe a figura do arquiteto: a construção é

sobretudo religiosa (igrejas e catedrais) e os seus responsáveis são os operários

e, principalmente, o mestre de obras. A interpretação do espaço construtivo

orienta-se para o centro das construções, numa primeira fase (o altar no

centro da igreja), e numa segunda fase para o alto (as altas paredes e os tetos

inacessíveis nas catedrais góticas).

 

Durante o Renascimento a figura do arquiteto ganhou nova dimensão, a partir

da progressiva humanização das grandes construções. Os valores científicos

(como, p. ex. a noção de perspetiva) sobrepuseram-se aos valores divinos.

Assim, os grandes arquitetos do Renascimento, como Giacomo Vignola (1507-

1573), Leon Battista Alberti (1404-1472) e Michelangelo (1475-1564),

procuraram aproximar as grandes construções à realidade, relevando o efeito

da perspetiva. Esta tendência é marcadamente clássica.

 

 

Alçado da Igreja de S. João de Gatão (Amarante, Portugal), com a sua parede cega de uma única pequena fresta, característica do Românico.

 

Abóbada gótica da Catedral de Toledo (Espanha), alta e ricamente decorada com vitrais coloridos).

 

Gárgula neogótica da Catedral de Notre-Dame de Paris (França).

  

 

Maneirismo: uma perspetiva anticlássica e reformadora

A arquitetura maneirista caracteriza-se por uma revolta contra o clássico

(anticlassicismo), dentro da própria cultura renascentista. São os arquitetos

maneiristas (como Michelangelo), que apresentam propostas/desenhos com

maior ousadia, principalmente prolongando a realidade exterior para o interior

dos edifícios (janelas que se viram para dentro, escadas exteriores que se

prolongam nos interiores, etc.), dando origem a algumas das soluções

tipicamente "de arquiteto", o que constitui um momento importante na

evolução da própria arquitetura.

 

Estilo Românico

Planta basilical com três naves (na sua esmagadora maioria). Aspeto austero,

de paredes cegas (sem janelas ou com pequenas aberturas muito estreitas),

porque suportam todo o edifício. Decoração interna e externa através de

esculturas nos tímpanos das portas de entrada e nos capitéis.

 

Estilo Gótico

Construções em altura, contrariamente ao românico. Paredes leves e finas e

grandes entradas de luz (janelas sumptuosas). Torres ornamentadas com

rosáceas. Abóbadas de arcos cruzados (em ogiva).

Telhados das torres em forma de pirâmide.

 

Uma variante do gótico é o “gótico flamejante”,

caracterizado pela exuberância da decoração escultórica

(caso das gárgulas neogóticas da Catedral de Notre-Dame).

 

 

Caracterizado pelo modelo de planta centralizada de templo,

desenhado em cruz grega e coroado por uma cúpula.

 

Planta de Bramante (arquiteto italiano, 1444-1514) da Basílica de S. Pedro, em Roma.

 

 

 

Estilo Manuelino

É uma variante portuguesa do gótico flamejante,

decorativo e escultórico, desenvolvido no reinado de

D. Manuel I (1469-1521).

Exemplos: Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém

(ambos em Lisboa) e janela manuelina do

Convento de Cristo (Tomar). 

 

Torre de Belém (Lisboa) e janela manuelina do Convento de Cristo (Tomar).

 

 

 

 

  

Estilo Barroco

O estilo barroco na arquitetura está pouco

relacionado com as características da escultura do

mesmo período (séculos XVII-XVIII), que

apresentavam intenso dramatismo das figuras

decorativas, jogos de luz e sombra sugerindo

tridimensionalidade e movimento, rostos

expressivos e vestes esvoaçantes. Na verdade, a

arquitetura barroca portuguesa é austera, as

fachadas são simples e as plantas em retângulo.

Estas características são uma consequência do

período difícil da ocupação filipina e da

Inquisição.

 

Mosteiro de S. Gonçalo (Amarante) e Torre dos Clérigos (Porto).

 

 

 

 

4. Século XX: arquitetura moderna

 

 

Como acontece na generalidade das expressões artísticas, o séc. XX (antecipado pela

revolução industrial) caracteriza-se por uma grande profusão de estilos arquitetónicos: a

Arte Nova, o Futurismo, o Construtivismo, o Racionalismo Italiano, a Escola de Chicago,

a Arte Déco, entre outros.

 

 

  

ESCOLA DE CHICAGO

 

:: Ligação entre arquitetura e urbanismo na

sequência do desenvolvimento das grandes

cidades modernas comerciais.

:: Recurso ao ferro em vez da madeira.

:: Arquitetura de produção em série, com a

repetição de uma matriz e construção em

altura (os arranha-céus).

 

Arq. William Le Baron Jenney, Home Insurance Building, Chicago , EUA, 1885.

 

 

 

  

CONSTRUTIVISMO

 

:: Movimento moderno que surgiu na União Soviética nas

décadas de 1920 e 1930.

:: Inspira-se no futurismo e no cubismo abstracionista.

:: É uma arquitetura essencialmente abstrata e geométrica,

que procura interpretar o comunismo dialético e as lutas operárias.

:: Vladimir Tatlin é o arquiteto inspirador do construtivismo.

 

Arq. Vladimir Tatlin, Monumento à III Internacional, projeto de 1919.

 

 

 

  

ESCOLA BAUHAUS

 

:: Movimento de vanguarda na Alemanha, ligada ao

Modernismo.

:: Foi a primeira escola de design do mundo, dando

origem ao desenho funcionalista moderno.

:: Inspirada numa metodologia de desenho básico

de raiz racionalista.

:: Influenciou artistas de todo o mundo,

especialmente nos EUA, em Israel e no Brasil.

:: Walter Gropius foi o seu fundador e principal

mentor, mas com ele trabalharam outros artistas

famosos, como Le Corbusier, Paul Klee e Wassily

Kandinsky.

 

Edifício Bauhaus, em Dessau (Alemanha), projetado por Walter Gropius, em 1925-26.

 

 

 

  

RACIONALISMO ITALIANO

 

:: Surge após os movimentos modernistas, nos quais se inspira.

:: Procura conciliar o Classicismo italiano com a arquitetura

racional da escola Bauhaus, sem que isso representasse um

regresso ao clássico.

:: Constitui um contributo para a arquitetura familiar

horizontal: grandes blocos de betão com vários apartamentos

servindo várias famílias no mesmo edifício.

 

Edifício Novocomum, em Como (Itália), projetado por Giuseppe Terragni em 1928.

 

 

  

ORGANICISMO: ARQUITETURA ORGÂNICA

 

:: Movimento nascido nos EUA através dos projetos de

Frank Lloyd Wright.

:: Construções organicistas devolvem o homem ao seu

habitat natural, relevando a sua integração com o meio

ambiente (identidade orgânica).

:: Projetos arquitetónicos confundem-se com a natureza

não intervencionada.

 

A Casa da Cascata, de Frank Lloyd Wright, na Pensilvânia (EUA), 1936.

 

 

  

PÓS MODERNISMO

 

:: Arquitetura pós-moderna constitui uma reação à arquitetura

moderna, atribuindo aos edifícios uma dimensão sociológica (o

homem não é apenas uma entidade física) e humana.

:: Surge na década de 1960.

:: A socióloga e ativista política Jane Jacobs e o arquiteto e

matemático Christopher Alexander são os grandes mentores desta

arquitetura social, criticando o caráter impessoal e monumental

das obras modernas.

:: O filósofo francês Jean-François Lyotard, autor da obra “A

Condição Pós-Moderna” (1979), considera que o pós-Modernismo

constitui uma rutura com as narrativas políticas dominantes (o

conflito Ocidente-Oriente, capitalismo e comunismo); a queda do

Muro de Berlim, em 1989, marca simbolicamente essa rutura.

 

J. Paul Getty Center, de Richard Meier, em Los Angeles, Califórnia (EUA), 1991-97.

 

 

 

5. ramos da Arquitetura

 

O desenvolvimento das sociedades modernas, aliado às novas necessidades de divisão e

ocupação dos espaços, levou ao aparecimento de diferentes ramos ligados à arquitetura, tais

como: a arquitetura coletiva militar, a arquitetura de reabilitação urbana, a ecoarquitetura, a

arquitetura de interiores, etc.

 

A reabilitação urbana é uma vertente da arquitetura e da engenharia visando reabilitar e

preservar edifícios públicos e privados com dimensão de património. A reabilitação dos

edifícios tem também outras funções, tais como: tornar esses edifícios mais modernos, mais

funcionais e mais integrados no meio (natural, físico e/ou sociológico) envolvente, que está

sempre em mutação.

 

Uma das últimas tendências arquitetónicas associa as preocupações com o ambiente aos

projetos das novas casas e/ou edifícios públicos, resultando daqui edifícios inteligentes, com

recurso a materiais recicláveis, com aproveitamento de formas alternativas de energia e/ou

projetos de poupança de energia, controlo remoto, etc. Esta arquitetura é amiga do

ambiente e por isso designa-se por arquitetura ecológica (ecoarquitetura).

 

Não obstante, os novos estímulos ligados à arquitetura não lhe retiraram a componente

estética por excelência, mantendo-se até aos nossos dias a conhecida diferença entre as

figuras do arquiteto e do engenheiro, ou seja: o esteta e o cientista. Se, no início, os materiais

eram reduzidos e rudimentares, com a multiplicação das matérias primas e respetiva

sofisticação as construções foram ganhando uma dimensão mais artística, com uma

infinidade de possibilidades criativas, quer através da personalidade do arquiteto, quer

através do simbolismo e das opções inerentes às especificidades das obras e às exigências

dos seus donos.

 

 

 

6. entre a Arquitetura e a Engenharia...

 

 

As diferenças

Arquitetura e Engenharia trabalham com formas, mas enquanto a

arquitetura procura enfatizar a forma de modo a dar-lhe uma dimensão

mais ousada (artística), a engenharia procura na forma uma maneira

de resolver os problemas funcionais (técnicos) duma construção.

Quer dizer: a engenharia prefere formas simples, mas funcionais,

formas que duma maneira geral não causam tanto impacto visual,

mas que se tornam necessárias para a estabilizade da obra.

Em suma, a engenharia tem uma intenção puramente funcional,

e é esta postura austera da engenharia que mais a caracteriza

e a distingue.

 

As dependências

O desenvolvimento de um desenho arquitetónico de uma construção

não será possível se não se fizer um estudo prévio de engenharia

que aborde questões inevitáveis, tais como:

local de implantação e seus desafios, volumetria da obra,

consolidação de terrenos, ensoleiramento, ancoragem, etc.

A engenharia serve para promover um conjunto de estudos

técnicos e científicos que permitam garantir a usabilidade e

durabilidade da obra, quer em circunstâncias normais,

quer em circunstâncias de perturbações climáticas

que podem provocar fenómenos sísmicos, movimentação de solos,

desgaste das estruturas, etc.

 

 

 

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