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História da Arte

e introdução às correntes artísticas contemporâneas

 

 

 

1. arte na Pré-História

 

 

    

 Vénus de Willendorf (Áustria) e elemento de caça da gruta de Las Chimenesas, Monte Castillo (Cantábria, Espanha).

 

 

A arte no período pré-histórico confunde-se com a ideia de comunicação (quer dizer: não

existe ainda uma dimensão artística propriamente dita, mas apenas uma forma de

comunicação entre o homem pré-histórico).

Manifesta-se principalmente no desenho, na pintura e na escultura.

 

Os desenhos eram gravados nas paredes e representavam cenas da vida quotidiana, com

destaque para as caçadas: tratava-se de representar os modos de subsistência.

 

As esculturas (em pedra mole, argila ou marfim de mamute) representavam sobretudo

mulheres no período de gravidez, símbolos de fertilidade. No entanto, existem inúmeros

casos de estatuetas de traço esbelto e fino como exaltações da beleza da condição feminina.

 

 

 

2. arte na Proto-História

 

 

A arte da Proto-História está enquadrada em três momentos distintos:

a Idade do Cobre, a Idade do Bronze e a Idade do Ferro.

 

Na Idade do Cobre (aprox. 5000 anos a.C.) desenvolveu-se a metalurgia e todos os

artefactos a ela ligados, como a invenção da roda, do arado e do carro de bois.

 

 

 

Fragmento de um retrato em bronze do imperador Marcus Aurelius (121-180 d.C.) Museu de Louvre, Paris.

 

Na Idade do Bronze (3300 a.C.) regista-se a criação de artefactos guerreiros (setas, lanças,

escudos) e decorativos (ornamentos: brincos e pulseiras), em metal, que sucedem ao

período do Paleolítico (a chamada Idade da Pedra: setas – na expressão guerreira – e

dólmens – na arquitetura religiosa).

 

É na Idade do Bronze que surgem as primeiras esculturas com caráter predominantemente

artístico, que viriam a desenvolver-se alguns séculos mais tarde como nos casos dos retratos

dos imperadores romanos.

 

Na Idade do Ferro (cerca de 1200 a.C. na Europa) uma grande parte dos artefactos

realizados em bronze são reconfigurados para o novo metal, que se apresentava mais

consistente pela sua dureza, durabilidade e abundância.

 

 

 

3. a arte na Idade Antiga

 

 

A Idade Antiga, que historicamente tem o seu fim na era cristã, agrega várias e distintas

formas culturais: a civilização Egípcia (as pirâmides e os deuses do Egito), a civilização

Mesopotâmica (a Babilónia, ou Babel, a grande metrópole), a civilização Hebraica (Moisés e

a religião judaica), as civilizações Fenícia e Persa (desenvolvimento da economia e

organização política dos reis persas), as civilizações Chinesa e Hindu (desenvolvimento da

filosofia dos pensadores chineses e do budismo) e ainda as civilizações Grega e Romana

(desenvolvimento da democracia e origem do conceito de República, em paralelo com o

mundo da mitologia – os Deuses do Olimpo – e a filosofia – Aristóteles, Platão e outros).

 

Das grandes civilizações da Idade Antiga são relevantes, pela sua riqueza em diferentes

domínios (política, filosofia, arte e religião) as culturas Egípcia e Grega.

 

 

 

No antigo Egito foram construídas centenas de pirâmides: as três grandes estão incluídas entre as Sete Maravilhas do Mundo antigo.

Pirâmides de Gizeh.

 

Na Grécia antiga desenvolveu-se a arquitetura e e escultura, para lá dos temas mitológicos, que sustentaram a designada Cultura Clássica e perduraram até à Idade Moderna.

O Partenon da Acrópole de Atenas

 

O Partenon é um símbolo duradouro da Grécia e da democracia, considerado um dos maiores monumentos culturais da história da humanidade.

 

 

 

4. a arte na Idade Média

 

 

A Idade Média, situada entre os séculos V e XV, é caracterizada pela supremacia religiosa:

a  arte tende a ser filtrada através da religião, especialmente o Cristianismo na Europa

Ocidental. Neste período destaca-se a arquitetura, quer pela sua simplicidade (o Românico),

quer pela sua imponência (o Gótico e o Manuelino). Na literatura desenvolve-se a poesia

trovadoresca e na música o canto gregoriano.

 

 

 

Arte Românica em Amarante: igreja velha de Real, Vila Meã.

 

 

 

Gótico em Portugal: Mosteiro da Batalha,

mandado edificar por D. João I como agradecimento pela vitória na Batalha de Aljubarrota.

A sua construção demorou quase dois séculos (1386-1517).

 

Manuelino em Portugal:

Convento de Cristo em Tomar (pormenor da janela do Capítulo).

 

Fundado em 1162 pela Ordem dos Templários, foi sofrendo transformações ao longo dos séculos XIV e XVI.

   
   

PODCAST Canto gregoriano: O Adonai

Dominican Brothers in Oxford, 2006.

www.youtube.com

 

 

 

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5. o Renascimento

 

 

Entre a Idade Média e a Idade Moderna situa-se a época renascentista.

O Renascimento exprime-se por um regresso ao Clássico (a Grécia antiga),

e é considerado um dos períodos mais ricos da história da humanidade.

 

No Renascimento desenvolve-se o conceito de Humanismo, em paralelo com

Antropocentrismo, Racionalismo e Individualismo.

 

A arte no período renascentista tende a valorizar a figura do Homem como suprema criação

divina. A arte no período renascentista, e em especial a pintura, é particularmente virtuosa,

com exemplos cuja mestria se prolonga até aos dias de hoje: Miguel Ângelo (Itália 1475-

1564), Leonardo da Vinci (Itália, 1452-1519), e Rafael Sanzio (Itália, 1483-1520).

 

Este período é também caracterizado por uma certa italianização da Europa…

 

 

 

RAFAEL: Madonna Cowper, 1504-1505. National Gallery of Art, Washington, EUA.

 

LEONARDO DA VINCI: Mona Lisa,

1503-1507. Museu de Louvre, França.

 

 

 

6. a Arte Moderna

 

 

Entre finais do século XIX e o fim do terceiro quarto do século XX situa-se a Arte Moderna,

que tem a sua origem no conflito entre os ideólogos do Romantismo e do Realismo.

Os grandes motores da arte moderna foram a revolução industrial (que aproximou as

pessoas e as projetou socialmente) e a guerra (o conflito na Rússia, em 1917,

e a I Guerra Mundial na Europa, entre 1914 e 1918).

As expressões artísticas emergentes desses fenómenos são o Impressionismo e o Pós-

Impressionismo, o Fauvismo, o Cubismo, o Modernismo e os primeiros Expressionistas.

 

6.1 | AS ORIGENS DO IMPRESSIONISMO

«Eu não posso pintar um anjo porque nunca vi nenhum!» (Gustave Courbet, 1819-1877).

Courbet haveria de tornar-se o pintor de transição entre o Romantismo e o Impressionismo.

 

O Impressionismo constitui uma desforra contra os simbolistas porque estes valorizavam a

subjetividade, a arte pela arte e a plurisignificação. Charles Baudelaire fez em 1846 um

apelo à pintura nos seguintes termos: que represente «o heroísmo da vida

moderna» (princípio do Modernismo).

 

Karl Marx contribuiu para esta rutura com a seguinte pergunta: «Poderá Júpiter

sobreviver ao para-raios?»

 

Assim, o Impressionismo surge como uma nova visão do mundo, realista e progressista,

dando ênfase aos novos movimentos sociais e ao desenvolvimento da indústria e da

tecnologia.

 

Principais pintores impressionistas:

1. CLAUDE MONET 1840-1926: o seu quadro «Impressão – Nascer do Sol» (1872) terá

estado na origem do termo Impressionismo e revela-se através de grandes manchas de cor.

 

2. ÉDOUARD MANET 1832-1883: a exuberância da luz (e o exagero dos contrastes) é o que

melhor caracteriza a obra de Manet. Obras: «Almoço no Campo» (1863) e «O Bar de Folies

Bergère» (1882).

 

3. PIERRE-AUGUSTE RENOIR 1841-1919: cobre grandes áreas dos seus quadros com

manchas de luz e cor, introduzindo ideias abstratizantes. Obras: «O Baile no Moulin de la

Galette» (1876) e «A Banhista» (1910).

 

Outros exemplos: Edgar Degas (1834-1917) e Toulouse-Lautrec (1864-1901).

 

Exemplos do Pós-Impressionismo:

4. VINCENT VAN GOGH 1853-1890: distingue-se pela exuberância (e rebeldia) do traço.

Obra: «Autorretrato com chapéu de feltro» (1887).

 

5. PAUL CÉZANNE 1839-1906: distingue-se pela geometrização dos motivos pictóricos.

Obra: «Les Grandes Baigneuses» (1906).

 

6. PAUL GAUGUIN 1848-1903: regressa ao traço infantil, desproporcionado e libertado dos

parâmetros tradicionais. Obra: «O Cristo Amarelo» (1889).

 

 

 

VINCENT VAN GOGH: Autorretrato

com chapéu de feltro, 1887.

 

PAUL GAUGUIN: O Cristo Amarelo, 1889.

 

PAUL CÉZANNE: Les Grandes Baigneuses, 1906.

 

 

6.2 | FAUVISMO

O Fauvismo (do francês “fauves” – feras) é uma reação ao Impressionismo e caracteriza-se

pela sua tendência “libertadora”: Henry Matisse classifica o Fauvismo como «uma arte do

equilíbrio, da pureza e da serenidade, destituída de temas perturbadores ou deprimentes».

Essa libertação dá-se, sobretudo, no desregramento da cor e do espaço, isto é: a cor ganha

uma dimensão espacial que extravasa os cânones formais vigentes, a cor pura é exaltada, as

expressões cromáticas são instintivas e não condicionadas. As suas grandes influências vêm

de Van Gogh e Paul Gauguin.

 

 

 

HENRI MATISSE: Dance II, 1909-10

 

 

 

6.3 | DADAÍSMO

O movimento Dadá surgiu em 1916 e rapidamente se tornou uma referência não racional

contra a própria irracionalidade da guerra (I Grande Guerra, 1914-18).

 

O Dadaísmo caracteriza-se pelo non sense, um certo niilismo ou anarquismo. Trata-se de

um movimento artístico em que a vanguarda é exaltada pela própria vanguarda, quer dizer,

a arte serve principalmente para contestar – e contestar é sobretudo subverter.

 

 

 

 

MARCEL DUCHAMP: A Fonte (1917) e L.H.O.O.Q. (Mona Lisa with Moustache), 1919.

Marcel Duchamp (França, 1882-1968) destacou-se como pintor, escultor e poeta, inventor do ready-made que iria inspirar a Pop-Art.

 

 

 

6.4 | CUBISMO

Na pintura, o Cubismo surge como sequência lógica do Pós-Impressionismo, na medida em

que a geometrização dos assuntos (agora mais radical) fora abordada já por Cézanne: o

quadro «Les Demoiselles d’Avignon» (Pablo Picasso, 1907) é significativamente mais

abstratizante do que «Les Grandes Baigneuses» (Paul Cézanne, 1906).

 

Há um forte contributo da arquitetura e do pensamento racional na abordagem cubista, com

uma tentativa de representar a terceira dimensão e os diferentes pontos de vista numa única

perspetiva.

 

 

 

«No início do século 20, Paris era socialmente dividida pelo rio Sena. Do lado direito ficava a área nobre, que incluía Montmartre, o bairro dos artistas consagrados como os pintores Paul Cézanne e Claude Monet. Já do lado esquerdo, em Montparnasse, conviviam matadouros, bordéis e pontos de venda de éter e cocaína. Foi ali que uma geração inteira de artistas pobres de vários lugares do mundo escolheu para viver. Cercados por prostitutas e carneiros, eles puderam criar com liberdade muito maior que em seus países natais.»

MÁRIO ARAÚJO, Aventuras na História

fonte: guiadoestudante.abril.com.br

 

O Cubismo, o Modernismo e primeiro Expressionismo são movimentos artísticos que se

complementaram em torno duma vida artística muito agitada na cidade de Paris,

principalmente até ao início da I Guerra Mundial.

 

Nos bairros parisienses de Montmartre e Montparnasse desenvolveram o seu trabalho

alguns dos artistas mais famosos do século XX: Cézanne e Picasso, Modigliani,

Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, James Joyce, Man Ray, Henry Miller,

Guillaume Apollinaire, Paul Valéry, Ezra Pound, Marc Chagall, Fernand Leger, Max Ernst,

Marcel Duchamp, Constantin Brancusi, Diego Rivera, Alberto Giacometti, André Breton,

Salvador Dalí, Samuel Beckett, Joan Miró…

 

Aqui ou, depois de 1950, na América, a forma comprometida destes artistas com a arte e o

mundo moderno deu inevitavelmente origem a um infindável número de novas correntes

artísticas, que por sua vez influenciam ainda a arte contemporânea.

 

 

 

 

 PABLO PICASSO: Les Demoiselles d'Avignon, 1907.

 

 

 

7. da arte moderna à  arte contemporânea

 

 

Com o fim da II Grande Guerra os grandes movimentos artísticos transitaram para os E.U.A.

 

Principalmente a partir de 1950, uma visão mais desconcentrada da arte permitiu o

aparecimento do grande surto de correntes artísticas, desde o Expressionismo radical

(Jackson Pollock), Pop Art (Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Claes Oldenburg), Minimal Art

(Dan Flavin), Concretismo (Brasil, com a revista "Noigandres", fundada pelos irmãos

Augusto de Campos e Haroldo de Campos), Arte conceptual (Sol LeWitt e

Marcel Duchamp), Happening (Robert Rauschenberg), Land Art (Christo & Jeanne-Claude,

Robert Smithson…), Arte Cinética (Alexander Calder e Jesus Raphael Soto), a Performance

(Joseph Beuys e Wolf Vostell), o Hiper Realismo (Chuck Close), etc.

 

 

 

 

RON MUECK, Centro de Arte Contemporânea de Málaga, Espanha, março de 2007.

 

 

  

 

 

 

A film montage by Antonio Ferrera with never-before-seen footage from numerous filmmakers, including Albert and David Maysles.

The film was realized on the occasion of Jeanne-Claude's memorial on April 26, 2010 at The Metropolitan Museum of Art, New York City.

 

www.christojeanneclaude.net

 

 

Os artistas Christo e Jeanne-Claude nasceram no mesmo dia: 13 junho de 1935, ele em Gabrovo (Bulgária) e ela em Casablanca (Marrocos).

Ele costumava dizer: «Nascemos no mesmo dia e na mesma hora, mas graças a Deus de mães diferentes».

E também: «Às vezes temos a mesma ideia ao mesmo tempo.»

 

Casaram-se em Paris, em 1962, e tiveram um filho, Cyril.

 

Consta que, em 1964, quando chegaram à América, Christo perguntou a Jeanne-Claude: «Você gosta de Nova Iorque?

Eu adoro! É para si, ofereço-lhe!» Na verdade, ele projetava embrulhar vários arranha-céus de Manhattan, mas nunca

obteve autorização para isso. 

 

Jeanne-Claude faleceu em 2009, com 74 anos, vítima de um aneurisma cerebral provocado por uma queda. 

 

 

 

 

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